segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Eu não tinha este rosto de hoje,

assim calmo, assim triste, assim magro,

nem estes olhos tão vazios,

nem o lábio amargo


Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração

que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil:

- em que espelho ficou perdida

a minha face?

Cecília Meireles

Lembro de ter sido uma adolescente otimita, apaixonada pela vida, inquieta, eu tinha a certeza de que poderia realizar qualquer coisa. Hoje sei que nem tudo depende da minha vontade. Sinto saudades de quem fui, do meu ímpeto, minha paixão pela vida. Naquela época, tinha certeza de tantas coisas...